A Origem das palavras e expressões

Frio de renguear cusco – A última semana foi terrível em termos de frio. Noites e dias sucederam-se com baixas temperaturas. Como dizem os gaúchos da campanha, “frio de renguear cusco”. Frio de bater queixo.  O inverno disse a que veio. Tudo começou com chuvas, fortes ventos. Depois as temperaturas negativas. Até a neve se fez presente em algumas regiões da serra gaúcha e catarinense. Curtição para os que têm ar condicionado, lareira, boa comida, banho quente e demorado, vinho, bebidas quentes, aconchego da casa. Terror para muitos, em precárias condições de moradia, pouca roupa, goteiras, vento gélido pelas frestas, comida racionada de parcas calorias. Um flagelo para os sem teto, moradores de rua, mendigos, maltrapilhos.

Assunto quente para saborear no mundo da linguagem. 

Edredom – Palavra vinda do francês “edredom”, por sua vez do alemão “eiderdum”. “Eider” é um pato encontrado na Europa. De suas penas eram feitos os edredons. Entre nós, designa um tipo de acolchoado para ser posto sobre a cama, feito de algodão ou pluma, o que explica a sua leveza. Escreve-se também edredão. 

Fondue – Pronuncia-se “fondi”. Termo francês, particípio passado feminino do verbo “fondre”, fundir, derreter. Faz parte da culinária. Prato típico da Suíça, que consiste em fundir certos queijos com vinho branco, em panela aquecida ao calor de um fogareiro, onde cada conviva se serve, por meio de um garfo comprido em que espeta um pedaço de pão e o embebe na massa fervente. Surgiram, depois, outras versões, como o fondue de carne, fondue de chocolate. Cada cultura faz adaptações ao prato, usando produtos típicos de seu meio. Até o morango já caiu nessa panela quente. 

Frio – Do latim “frigidus”. Na condição de adjetivo, o superlativo absoluto sintético é frigidíssimo. Aceita-se também friíssimo.

A partir de “frigidus”, há muitos termos na Língua Portuguesa. Eis alguns: frigidez, frígido, frigorífico, frigobar. 

Pé quente e pé frio – Na linguagem popular, pé quente é a pessoa que traz sorte. Pé frio, por sua vez, é o portador de azar.

Em noite de inverno rigoroso, duro é dormir com o pé frio, gelado. A minha avó, lá na roça, esquentava um tijolo no forno do fogão a lenha, antes de dormir, enrolava-o num pano e colocava-o sob os pés na cama. Assim, aquecia os pés e dormia como uma tábua ou como uma pedra. Ela dormia bem cedo, deitava com as galinhas, após um longo e fatigante de trabalho. 

Deitar (dormir) com as galinhas – Deitar-se cedo, quando ou logo depois que anoitece. As galinhas dormem cedo. Guiam-se pelo sol. Logo ao anoitecer, buscam o lugar de repouso. Ao clarear o dia, já estão caminhando à procura de comida.

Pessoas idosas e muitos habitantes do nosso interior, ligados a atividades agrícolas e pastoris, possuem o mesmo hábito das galinhas: dormem assim que anoitece e, igualmente, levantam ao raiar do novo dia. Os trabalhadores rurais enfrentam uma longa jornada de trabalho duro. Precisam de um repouso maior para descansar o corpo e recuperar as energias. 

Gelo – Água ou qualquer outro líquido em estão sólido pela ação do frio.

Do latim “gelus”, gelo. 

Dar um gelo em alguém – Evitar alguém, geralmente por motivo de ofensa ou ressentimento. 

Quebrar o gelo – Dar início a uma conversa ou a uma atividade para desfazer o constrangimento do silêncio entre as partes; proferir palavras amáveis para fazer com que pessoas, num ambiente hostil, fiquem mais descontraídas e gentis. 

Navio quebra-gelo ou quebra-gelos – Navio dotado de uma estrutura especial e bem reforçada, acionado por motores potentes, com a finalidade de abrir caminho entre o gelo, em águas frígidas do mar ou grandes lagos.     

Pijama – Do persa “pa-jama”, cobertura das pernas, vindo pelo inglês “”pyjama” e pelo francês “pyjama”. Calças largas e leves, usadas pelas mulheres em algumas regiões da Índia. Vestuário caseiro para dormir, constituído de casaco e calça.  

Vestir o pijama de madeira – Gíria brasileira com o significado de perder a vida, morrer. O mesmo que vestir paletó de madeira. No caso, a madeira faz alusão ao caixão em que fica o corpo do defunto.

Ditado popular 

Frio de renguear cusco – Ditado popular próprio da região da campanha do Rio Grande do Sul, para expressar dia de frio intenso. Renguear significa claudicar de uma pata traseira, ao passo que mancar é específico de pata dianteira. O cusco, no dicionário do gaúcho, é cão pequeno de raça indefinida. Em manhã fria de inverno, de muito frio, o orvalho endurece e cria uma camada dura de gelo, a geada, que se estende sobre a vegetação. O cão, usado na lida do campo, sente tanto frio nas patas que caminha devagarzinho, mantendo ora uma pata traseira elevada do chão, ora a outra, evitando o contato com o gelo por mais tempo, dando a impressão, para quem o olha de longe, de que o mesmo esteja rengo. 

FONTE: Pesquisa elaborada pelo professor e escritor Ari Riboldi, da SMED – Pref. Porto Alegre/RS

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